Guia de Origens: Haiti + Japão
O Haiti possui vários jogadores de sua diáspora e até dois que atuaram no futebol de base do Brasil, enquanto o Japão se concentra em seu território: conheça mais sobre as origens dos dois elencos
A ideia do Guia de Origens é apresentar os locais onde nasceram os jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026, onde cresceram, quais suas ascendências e também quais as ligas onde atuam. Na newsletter, é possível conferir prints dos mapas que apresentam os locais de nascimento. O mapa interativo completo, com fichas técnicas, não pode ser incorporado no Substack, mas está disponível nos links abaixo do nome de cada seleção. O Guia de Origens não será publicado por ordem alfabética dos grupos, como as convocações acontecem de maneira aleatória. Serão duas seleções por dia na newsletter, até 10 de junho.
Vale lembrar: depois da Copa do Mundo, o material deste Almanaque virará um e-book. Por isso, a ideia desses guias é fugir um pouco do noticiário mais quente e abordar conteúdos atemporais, sem data de validade, que possam ser lidos também depois do Mundial - e ficarão de recordação muito além. Conheça mais sobre o projeto do Almanaque da Copa 2026 aqui, com a newsletter gratuita e e-book à venda em julho.
Haiti
*Atualizado em 12/06, após o corte de Leverton Pierre e a convocação de Garven Metusala.
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Onde nasceram
A ascensão da seleção do Haiti nos últimos anos contou com a adição de jogadores da diáspora haitiana: futebolistas com a cidadania local e nascidos em outros países. Ao todo, 17 convocados nasceram em outros países, enquanto nove são do território do Haiti.
A região do Haiti que mais contribui com convocados é Ouest, a mais populosa, onde se localiza Porto Príncipe. Seis atletas nasceram lá, quatro na área metropolitana da capital. São mais dois de Artibonite e um de Nord, ambas mais ao norte da ilha e com populações superiores a 1 milhão de habitantes. Três desses jogadores do território haitiano, contudo, emigraram ainda na juventude para outros países. Tiveram Bélgica, França e Estados Unidos como destinos.
Dentre aqueles que nasceram em outros países, 12 jogadores vêm da França, antigo colonizador do Haiti. São 11 do território europeu francês, mais um de Guadalupe, departamento ultramarino no Caribe. Destaque para nove nascidos na Grande Paris. Há ainda um atleta originário da vizinha Suíça. Já a diáspora na América do Norte se manifesta através de dois jogadores nascidos nos Estados Unidos e dois no Canadá – ambos na região metropolitana de Montreal, na parte francófona do país. Além dos países de nascimento, há pelo menos mais duas relações distintas de ascendência entre os jogadores do Haiti: o atacante Lenny Joseph, natural de Paris, é filho de mãe congolesa com pai haitiano; já o zagueiro Garven Metusala, nascido em Quebec, é filho de mãe haitiana e pai congolês.
Outro dado relevante é que diversos desses jogadores defenderam seleções de base de outros países, antes de optarem pelo Haiti no nível principal. Seis atletas passaram pelas categorias de base da França. Josué Casimir, nascido em Guadalupe, atuou no sub-20 da seleção local, que é filiada apenas à Concacaf e não à Fifa. Já Hannes Delcroix, que nasceu no Haiti e se mudou para a Bélgica na infância, defendeu as seleções menores belgas.
Clubes
A seleção do Haiti possui jogadores espalhados por clubes de 15 países diferentes. A França exerce uma influência importante, com cinco jogadores, enquanto cinco atuam nos EUA. Somente um permanece no futebol local, o meio-campista Woodensky Pierre, do tradicional Violette – vencedor da Concachampions em 1984. O restante se distribui por Alemanha, Bélgica, Canadá, Equador, Eslováquia, Hungria, Inglaterra, Irã, Países Baixos, Portugal, Suíça e Turquia.
Além disso, somente 17 jogadores do Haiti atuam em primeiras divisões. São três atletas de ligas menores dos Estados Unidos (a USL), quatro de segunda divisão, um de terceira divisão e um de quinta divisão – o goleiro Josué Duverger, de 26 anos. Nascido em Montreal, o arqueiro fez sua formação no Sporting e se profissionalizou em Portugal, mas há dois anos passou a defender a meta do Cosmos Koblenz, que disputou a quinta divisão do Campeonato Alemão nesta temporada, após ser promovido em 2025. Duverger é convocado como reserva da seleção desde 2018.
As histórias no Brasil
Há mais de duas décadas, o futebol se tornou um instrumento de acolhida e apoio do Brasil ao povo do Haiti. Diferentes iniciativas brasileiras deram oportunidades a jovens haitianos através da bola, sobretudo após o devastador terremoto que assolou o país em 2010. E esta solidariedade se reflete na Copa do Mundo de 2026. Dois jogadores convocados para o Mundial atuaram em clubes brasileiros durante a adolescência.
O projeto mais famoso é o do Pérolas Negras, criado pela ONG Viva Rio em Porto Príncipe, oferecendo treinamentos, bem como estudo e moradia a jovens atletas locais. Após a filiação da equipe à federação carioca, o Pérolas Negras disputou duas edições da Copa São Paulo de Juniores, em 2016 e 2017, com equipes compostas somente por haitianos.
Na segunda participação do Pérolas Negras, Danley Jean Jacques compunha o elenco. O meio-campista de 16 anos entrou em campo uma vez na competição, durante a derrota por 1 a 0 para o Corisabbá no Estádio Nicolau Alayon. Danley defendeu diferentes seleções de base do Haiti e iniciou sua carreira profissional no país, até ganhar uma oportunidade para atuar na França, pelo Metz. Sua primeira convocação à seleção principal veio em 2023. Atualmente no Philadelphia Union, o meio-campista disputou nove jogos nas Eliminatórias para a Copa de 2026, com papel importante na classificação haitiana.
Além do Pérolas Negras, outra iniciativa do futebol brasileiro voltada a jovens haitianos foi realizada pelo Olé Brasil, clube sediado em Ribeirão Preto que se licenciou de suas atividades em 2016. Em 2011, com apoio do Ministério das Relações Exteriores, o clube paulista fez peneiras com mais de 400 garotos no Haiti. Foram selecionados 11, que vieram para um período de nove meses no Brasil, com auxílio esportivo, social e educacional.
Entre os jogadores escolhidos para o intercâmbio estava o lateral Carlens Arcus, então com 15 anos. O haitiano chegou a entrar em campo pelo Paulistão Sub-17, numa equipe que também incluía o goleiro Léo Jardim e o lateral Moisés, e permaneceu no clube por um período além do estipulado inicialmente. De volta ao Haiti, Arcus se profissionalizou no futebol local e foi contratado pelo Troyes quando tinha 18 anos. Rodou por diversos clubes da França, bem como de Bélgica e Países Baixos, e defende atualmente o Angers. Convocado à seleção desde 2016, o defensor possui mais de 50 jogos pela equipe adulta e foi titular em toda a campanha vitoriosa das Eliminatórias. Deu a assistência para o segundo gol na vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua, que confirmou o Haiti na Copa do Mundo após 52 anos.
Japão
*Atualizado em 12/06, após o corte de Wataru Endo e a convocação de Shuto Machino.
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Onde nasceram
O Japão possui 25 convocados nascidos no território japonês. A exceção fica para o goleiro Zion Suzuki, natural de Newark, New Jersey, nos Estados Unidos – na região do Estádio MetLife, palco da final da Copa do Mundo de 2026. Ele possui cidadania japonesa por parte de mãe, enquanto seu pai é ganês. Posteriormente, sua família se mudou para Urawa e o garoto iniciou sua carreira na base dos Red Diamonds.
A maior parte dos jogadores japoneses nasceu em Kanto, região central do país que inclui a Grande Tóquio. São 11 atletas, distribuídos entre as prefeituras locais – a divisão administrativa que engloba diferentes cidades. A prefeitura de Kanagawa é a principal formadora de talentos, com sete convocados, sendo dois jogadores que nasceram na cidade de Yokohama e dois em Kawasaki.
Um pouco mais ao sul, quatro jogadores são da região de Chubu (dois deles da cidade de Hamamatsu) e quatro de Kansai (dois de Osaka). Um jogador representa Chugoku, a região mais ao sul da ilha principal, Honshu. Além disso, cinco atletas nasceram nas ilhas menores ao sul do território: três em Kyushu e dois em Shikoku.
Clubes
O elenco do Japão se divide por clubes de dez países diferentes. São 23 dos 26 atletas em atividade na Europa. Alemanha (7) e Países Baixos (5) apresentam as maiores concentrações. Destaque também para a Bélgica, com três atletas. Já a J-League possui três convocados, dois deles goleiros – o outro é o veterano Yuto Nagatomo, de volta ao país após uma longeva carreira na elite europeia. Estes defendem três clubes diferentes: FC Tokyo, Kashima Antlers e Sanfrecce Hiroshima.






Stein, não consegui acessar o mapa interativo do Haiti. Está como link privado.
De toda forma, ótimo texto e ótima série para entender melhor as histórias que dão significado a um torneio como a Copa do Mundo.
Ótimo texto. Sempre bom entender de onde vem os craques das seleções.
Uma curiosidade: a maioria dos jogadores "estrangeiros" que vão disputar a Copa por terem se naturalizado, são franceses, devido a maioria dos países africanos ter sido colonizado pela França.
Da Copa, das nove seleções africanas, Marrocos, Costa do Marfim, Tunísia e Senegal foram colonizadas pela França.